CULTIVANDO SONHOS

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Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brazil
Às vezes lamento ser sentimental e em tudo ver além do que os outros vêem. E sentir intensamente cada emoção e vibrar a cada canto, seja ele doce como o néctar das flores ou amargo como o fel das dores dessa vida... Como o tinir de taças de cristal, brindo o sentimento e em devaneios tantos minha alma viaja, transcendente, percorrendo mundos, atravessando mares, ou livremente, pondo-se a voar. Entre o imaginário e a realidade, interpõe-se minha poesia, que suga o néctar e expele o fel. Às vezes lamento esse meu jeito infante de acreditar em fadas, magos e duendes e, com eles, de mãos dadas pelos bosques,penetrar num universo de magia... ... E a poesia – esse estado de enlevo – toma a forma das minhas fantasias num romantismo real de alguém que sonha. Secretamente, em meu jardim de encantos, onde a terra é fértil, é fecunda, desdobram-se e viçam as flores que eu planto, na plenitude de todo amor que vivo. E, se algum dia, alguém nele penetrar há de notar que em cada canto existem pedaços de cada sonho que cultivo... (Leuri Lyra)

sábado, 13 de novembro de 2010

TRAJETÓRIA

(caminhos de uma poetisa...)



APELO À VIDA
(1987)

Não gosto de parar
para pensar na minha vida.

Ideais não concretizados,
sonhos desfeitos,
lágrimas derramadas
e, por vezes, reprimidas
num sorriso sem vontade de sorrir...

Não gosto de parar
para pensar nas noites sós,
nos desenganos, nos tantos desencontros,
no que fui, doce menina ingênua,
e no que sou... tão sem perspectiva!

O que me está reservado nessa caminhada?
O despertar da espera,
o fim das ilusões?
Ou, quem sabe, o endurecer dos sentimentos
e a incapacidade de me dar?

Ah, que me fosse dada a alternativa
de escolher o caminho menos árduo,
sem tantas pedras para tropeçar...

Ah, que me fosse, ao menos, concedida
a alegria de amar e ser amada
e o prazer de ter prazer em caminhar!



LOUVOR À VIDA
(2010)

Pensar em minha vida
me acumula forças...

Ideais transmutados,
sonhos refeitos...
Lágrimas de alegria
por vezes transbordadas
num sorriso aberto de quem é feliz!

Minhas noites sós,
de paz comigo,
e as lembranças queridas da infância...
O quanto agradeço o que vivi!!!

Na minha caminhada de tropeços,
a cada queda, o saber levantar
até não mais me permitir cair...

E os sentimentos, esses, tão intensos,
não endureceram com os percalços
que, com certeza, mereci passar!
Antes se solidificaram
e aumentaram
minha capacidade de me dar!

Ah, eu louvo à Vida que vivi,
a que vivo
e a que, por certo, hei de viver,
pois me foi concedida a alegria de amar
e o prazer de ter prazer em caminhar!


(Leuri Lyra)

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