22 de fevereiro de 1810. Inverno particularmente frio em Zelazowa Wola, aldeia e Ducado de Varsóvia, Polônia. Exatamente às 6 horas da tarde, numa casinha baixa, de três quartos, quase enterrada sob rajadas de neve em redemoinho, nascia o futuro pianista e compositor que foi batizado pelo Reverendo Inácio Marjanski, cura da paróquia de Brochow, recebendo o nome de Frédéric François, tendo como signo solar Peixes e, como signo ascendente, Virgem. O nascimento foi registrado em 23 de abril, estando presentes seu pai, Nicolas Chopin, professor de francês e literatura francesa, e dois amigos – José e Frederico – que serviram de testemunha.
O novo membro da família Chopin possuía cabelos louros, olhos castanhos e se parecia muito com a mãe, Justina, uma pianista polonesa.
Este menino, de compleição delicada, iria se tornar um dos maiores compositores clássicos de todos os tempos, de uma sensibilidade musical ímpar.
Chopin teve uma infância culta. Aos seis anos passou a ter um professor de piano, Adalbert Zwini, que lhe apresentou as obras de Bach e Mozart. Aos sete anos ele já era autor de duas polonaises (sol menor e si bemol maior).
Seu primeiro concerto público ocorreu quando ele tinha oito anos. Na mesma época viu publicada sua primeira obra, uma polonaise. Prosseguiu conciliando seus estudos no Liceu de Varsóvia com as aulas de piano.
Era uma criança "aluada, pálida e sentimental", dotada de um instinto musical quase tão agudo quanto o de Mozart, e uma habilidade para arremedar os outros, o que lhe teria assegurado um cargo de ator, e uma predisposição para perturbações pulmonares, indício de uma morte prematura.
Em 1825, apresentou-se para o czar Alexandre I. No ano seguinte ingressou no Conservatório de Varsóvia, onde iniciou seus estudos com o compositor Joseph Elsner.
Em 1830, dias antes de eclodir a Revolução Polonesa contra a ocupação russa, Chopin resolveu deixar Varsóvia e partir para Viena, que vivia sob o regime autoritário de Metternich. Ele nunca mais retornou à Polônia.
Ao sair de Viena, visitou Munique e Estugarda (onde ele teve conhecimento da ocupação da Polônia pelo exército do Império Russo) e em setembro de 1831 chegou a Paris, onde logo integrou-se à elite local, passando a ser requisitado como concertista e como professor. Ele já tinha produzido composto seus dois concertos para piano e alguns de seus Estudos Op. 10.
Em 1838 Chopin uniu-se à escritora Aurore Dupin, que usava o pseudônimo masculino de George Sand. O casal resolveu passar um tempo em Maiorca, mas o clima úmido da ilha piorou o estado de saúde do compositor. Em 1839, os dois voltaram para a França e em 1847 romperam definitivamente o relacionamento.
Em 1848, Chopin deu seu último concerto em Paris, além de visitar a Inglaterra e a Escócia. Voltou a Paris, onde em 1849 tornou-se incapaz de ensinar e se apresentar.
Nas primeiras horas de 17 de outubro de 1849, Frederic Chopin faleceu, aos 39 anos. Chopin foi enterrado, de acordo com seu desejo, no Cemitério Père Lachaise e seu coração foi colocado dentro de um dos pilares da igreja de Santa Cruz, em Varsóvia, conforme o seu pedido.Junto ao túmulo, a Marcha Fúnebre da Sonata Op. 35 foi tocada. Depois, alguns de seus amigos poloneses foram a Paris, com um jarro de terra proveniente de sua terra natal, e a espalharam por seu túmulo, para que Chopin se mantivesse em solo polonês. Sua sepultura atrai numerosos visitantes e é invariavelmente enfeitado com flores, mesmo na calada do inverno.
Se a arte é uma expressão do anseio do homem pela eternidade, Frédéric Chopin convida-nos a compartilhar dessa sublime aspiração.
Essa é a missão dos espíritos elevados.
(Texto extraído do livro “The Life of Frederic Chopin”, de Casimir Wierzinsky e de pesquisas na Internet)


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